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A vida de oração

Atualizado: Jun 4

Pe. Edson Colman, SDB

Todos nós temos necessidades de nos comunicar um com o outro.

Na dimensão das relações interpessoais, por exemplo, nos comunicamos. Em casa falamos com nossos pais, irmãos e demais membros da família; no trabalho falamos com o chefe, com os colegas; resolvemos coisas do dia a dia etc.

Na vida daquele que crê, o crente também vive uma experiência de comunicação, que chamamos de oração. Define-se, de modo muito simples, oração como diálogo, conversa com Deus. Diante do todo poderoso eu falo, converso sobre a minha situação real, existencial (minhas alegrias, conquistas, angústias, sofrimentos, aflições etc). Na oração, não devo apenas falar. Há uma atitude muito importante e fundamental a se praticar: a escuta. Eu falo de toda a minha situação a Deus. Fiz meus pedidos, chorei, reclamei...E Ele prontamente me ouviu. Depois de ter falado tudo, faz-se necessário calar, tranquilizar-se e deixar Deus falar ao nosso coração. É necessário escutá-Lo!

O Catecismo da Igreja reconhece três tipos de oração presentes na tradição católica, são elas: A oração vocal, a meditação e a contemplação.

2722. A oração vocal, fundada na união do corpo e do espírito na natureza humana, associa o corpo à oração interior do coração, a exemplo de Cristo que orava ao Pai e ensinava o «Pai-nosso» aos seus discípulos.

2723. A meditação é uma busca orante que põe em ação o pensamento, a imaginação, a emoção, o desejo. Tem por finalidade a apropriação crente do tema considerado, confrontado com a realidade da nossa vida.

2724. A contemplação é a expressão simples do mistério da oração. É um olhar de fé fixo em Jesus, uma escuta da Palavra de Deus, um amor silencioso. Realiza a união com a oração de Cristo, na medida em que nos faz participar no seu mistério.

Um canto muito conhecido na Igreja diz que: “desde o nascer ao pôr do sol seja louvado o nome do Senhor" (Salmo 113), ou seja, é um convite a vivermos todo o dia e toda hora na presença de Deus, com cantos, louvores, jaculatórias, mantras e ação de graças. Louvar a Deus por tudo aquilo que Ele é na minha vida, família e história.

São João Bosco, um grande santo da Igreja, ensina aos jovens que tudo feito com amor, se transforma em oração. Seu tempo de estudo, seus afazeres do dia, quando realizados com amor, tudo se transforma numa prece de louvor ao Bom Deus.

Para São Bento, a máxima da espiritualidade beneditina, resume-se no Ora et labora, ou seja, oração e trabalho. O monge alimenta sua vida espiritual na oração e na ajuda do sustento do mosteiro pelo seu trabalho. Rezar faz bem! Leva-nos para perto de Deus: faz-nos sentir em paz; consola e conforta o coração, sobretudo quando este se encontra aflito e atribulado.

Deus não precisa da nossa oração, contudo a nossa oração nos faz sentir o quanto somos dependentes D’Ele, o quanto precisamos D’Ele e que longe, distante D‘Ele não somos nada, pois a criatura sem o criador desaparece (Gaudium et spes, 36). Muitas pessoas, às vezes, não possuem o habito de rezar e pensam ser uma perda de tempo. Isso me faz refletir: Como podem perder tanto tempo com coisas banais e fúteis e não são capazes ao menos de parar um pequeno instante para uma breve oração?

Digo uma outra coisa: a partir do momento que começas a rezar, a falar com Deus, sua vida muda! Sua vida já não será a mesma. Comece devagar! Comece fazendo apenas o sinal da cruz ao levantar e ao descansar. Faça com respeito, carinho e amor esse sinal. Se não sabe rezar com as palavras, eleve seu pensamento a Deus, ao menos. Coloque-se na sua presença, sem palavras e sem medo, pois Ele sabe tudo sobre você, seus pensamentos e conhece o que se passa contigo.

Rezar, orar não é tão simples, mas também não é impossível. Para rezar, orar precisamos de uma vida disciplinada. Não faça nada com pressa e em excesso. Comece devagar, como a criança que está aprendendo a caminhar. Ela dá passos pequenos e lentos, porém depois que aprende ninguém mais segura. Faça isso hoje mesmo! Você não vai se arrepender de entrar nessa aventura de estar mais próximo de Deus, mais íntimo e unido a Ele. Tenho certeza a sua vida já não será a mesma!


Sobre o autor: Pe. Edson C. Colman é salesiano sacerdote, especialista em Liturgia pelo UNISAL- SP. Atua como Pároco da Paróquia S. J. Bosco na cidade de Lins-SP.

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