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DEVOÇÃO A MAMÃ MUXIMA - ANGOLA.

“Mamã do coração”, em língua nacional Kimbundo

Honório Samanhonga, SDB

Os portugueses chegaram à vila de Muxima - Angola em 1581. Ao pequeno posto militar seguiu-se a construção de uma fortaleza (que serviu de prisão dos escravos e ao mesmo tempo faziam as embarcações dos escravos para Europa e América) e neste mesmo lugar construíram a Igreja de Nossa Senhora da Conceição onde se batizavam os escravos antes deles embarcarem para a Europa e América, a Igreja foi fundada em 1599 por Baltazar Rebelo de Aragão.

“Mamã Muxima”. “Mamã do coração”, em língua nacional Kimbundo. Este tratamento carinhoso à Virgem encerra um universo de afetos. De fato, este é o santuário mais querido dos angolanos, que acorrem milhares de peregrinos nos primeiros dias de setembro, deixando pequena Vila da Muxima, que significa coração, e tornou-se com o tempo, um importante centro do mercado transatlântico de escravos, de tal forma que os holandeses a cobiçaram, tendo-a conquistado em 1647, incendiaram a Igreja construída pelos portugueses, e aproveitando a confusão, os holandeses levaram a Imagem de Nossa Senhora, mas pela sorte não ficaram muito tempo neste lugar. Um ano depois os portugueses reconquistam a aldeia em que eles tiveram desde 1581. A festa atrai mais de dois milhões de pessoas em cada ano. O Santuário localiza-se a uma distância de 130km da capital de Angola-Luanda, e encontra-se nas margens do rio Kwanza o maior rio de Angola, sendo o maior Santuário da África-subsariana e o mais frequentado pelos fiéis nacionais e estrangeiros.

A devoção de massas a Muxima é mais recente, datando de 1833, e no centro de tudo esta, precisamente a estátua da Virgem Maria, situada no interior do santuário, a qual foi novamente aí colocada em 1648, após a reconquista de Luanda e Muxima pelas tropas portuguesas. A imagem, ao que parece, foi casualmente encontrada na capital angolana por dois habitantes da vila.

No século XIX, houve um momento muito triste daquele lugar, a população foi acometida pela doença do sono, ocasião que fortaleceu ainda mais a devoção para os fiéis católicos, trazendo muitos não católicos a conversão. A partir desse momento, anualmente os fiéis católicos e também fiéis de outras confissões cristãs que nos momentos difíceis, de angústias, recorrem ao Santuário da Muxima para dialogar com a Mãe, para pedirem graças e intercessões.

Maria nunca abandona os seus filhos, ela caminha connosco, nos momentos tristes, felizes ela sempre nos pega na mão como filhos, ela nos enxuga as nossas lágrimas, é a mãe das mães.

A devoção Mariana aos fiéis católicos angolanos é muito forte, os peregrinos não procuram o Santuário somente no mês de setembro, mas sim durante todo ano, em grupos ou mesmo individualmente, os fiéis vão ao santuário para agradecer a mãe ou mesmo para apresentar os seus pedidos, temos na consciência que não podemos nos separar da mãe, aquela que deu o sim a Deus para que todos nós fôssemos salvos pelo seu Filho. Muitos católicos angolanos o dilema é sempre esse: “Maria passa enfrente”, é uma frase simples, mas é profunda para quem compreende a figura de Maria na vida de Jesus, na vida da Igreja e de cada um de nós, ela é aquela que com o seu bastão vai afrente para que nós caminhássemos no caminho do seu Filho.


Imagem de Mama Muxima, Padroeira da Angola, recebida em Salvador - Brasil.

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©2020 por Danilo Guedes