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HOMESCHOOLING

Educação Domiciliar em tempos de pandemia

O impacto desse cenário na aliança escola- família


“Espera no Senhor, seja firme! Fortaleça seu coração e confie em Deus”.

(Sl 27: 14)

As palavras do Salmo 27 serão a base da reflexão sobre o tema desafiador do nosso artigo. Pois é muito atual e pode ser de uma força sustentadora na realidade de muitas escolas e famílias neste tempo de pandemia. Esperança e fortaleza se tornam pilares que nos conduzem neste percurso com diferentes horizontes. Pois as escolas estão fechadas, mas o horizonte educacional continua aberto.

Falar de Homeschooling, ou melhor dizendo educação domiciliar, é desafiador por ser um tema muito complexo, mas de necessário diálogo sobretudo nos tempos atuais em que vivemos.

A educação domiciliar não é uma prática ainda muito compreendida e aceita no Brasil, pois coloca em discussão tantos fatores que incidem no desenvolvimento social dos alunos. Mas o contexto atualmente em que vivemos por causa da pandemia, nos faz adotar a educação domiciliar como forma emergencial para dar continuidade nos estudos, exigindo das famílias uma adaptação a tal proposta. Em tempos de pandemia muitos desafios como este, surgiram no mundo educacional, e tantas discussões sobre o futuro também. Com certeza, as experiências vividas pela educação neste tempo deixarão lições imensuráveis sobre como as formas de ensino aprendizagem podem conviver em harmonia em prol de um projeto pedagógico global que atenda às necessidades de uma educação evangelizadora com olhar voltado para a promoção humana.

Educação à distância não é escolha, é uma alternativa possível neste exato momento de dificuldades. Por este motivo o cenário educacional está explorando novas formas de se relacionar com diversas dimensões da vida diante de um problema que trouxe inevitáveis consequências para a rotina seja das escolas, dos professores, dos estudantes e da família. Os impactos dessas mudanças exige hoje de cada um muito empenho e adaptações aos novos tempos.

Nesse cenário, as necessidades educacionais ganharam novas formas e, sem dúvida, integrar a tecnologia ao processo de ensino-aprendizagem tornou-se essencial para minimizar os impactos no ano letivo e na vida. Neste momento o ensino à distância, aulas on-line surgem como um caminho para superar essas dificuldades inerentes a esse contexto, com ferramentas para que a comunidade escolar se reorganize em função da aprendizagem do estudante. Mas, não podemos negar que esse caminho também trouxe consigo muitos conflitos interferindo também nas parcerias família-escola e colocando muitos pais diante do grande desafio que é justamente o Homeschooling.

Por isso é fundamental repensar e fortalecer o tema da aliança família-escola e o modo como superar essas dificuldades com os filhos na hora de acompanha-los nas aulas em casa, pois muitas famílias não estavam preparadas para enfrentar esse desafio, e o resultado desse drama para muitas famílias é o surgimento da ansiedade e muitos medos.

A pandemia trouxe mortes, trouxe dores aos corações humanos, mas ela trouxe também atenção, olhar, cuidado e o mais importante: trouxe-nos a consciência de que o tempo é breve. Por isso, temos que encontrar forças para reagir de forma positiva! Confiemos na presença de Deus que está perto em cada passo que damos em meio a essa pandemia. Ele nos anima!

Deus está perto dos corações feridos e salva os que estão desanimados.” (Sl 34, 19)

Esse contexto nos faz perceber que se torna também fundamental que as escolas acalmem os pais, responsáveis e alunos e para isso a comunicação se torna essencial. E é neste cenário cheio de mudanças, que ressaltamos que a rede escolar está tentando cumprir a sua missão. Nesse processo os professores também tem uma responsabilidade singular e fundamental, tentando com todas as forças fazer o seu trabalho da melhor forma possível para cumprir o conteúdo programático, devemos lembrar que nem eles estavam preparados para essa nova realidade.

Diante de todo esse panorama, voltarmos nosso olhar para o impacto dessa crise mundial também na vida das crianças e da família. Nos encontramos com pais e mães com dificuldades em acompanhar seus filhos no estudo domiciliar e sobretudo na dificuldade de gestão sócio emocional que atinge com grande força essa realidade. Como podemos perceber todos estão diante desse grande desafio, seja a escola, os professores e a família. Calma! Este Artigo vem com o desejo de apontar uma direção concreta que inspire, sobretudo, os pais a superarem algumas dificuldades no assim denominado ensino domiciliar.

Para auxiliar no enfrentamento deste momento, ressaltamos a importância da comunicação, do diálogo na relação entre família e escola, que já era importante, agora se torna essencial.


Uma boa comunicação pode transformar a forma como todos podem lidar com a situação.

Sabemos que em poucas semanas a rotina de muitas crianças e adolescentes em todo o país se restringiu a estar dentro de casa. A adolescência já é por si só, um momento difícil, cheio de dúvidas e questionamentos sobre o futuro, é também uma fase importante para formação de vínculos de afeto, lembrando neste sentido que o contato e a convivência fazem parte do desenvolvimento sócio emocional da pessoa. Por isso, a atenção à saúde mental e ao bem-estar dos jovens, nesse momento também se torna fundamental. Tanto a família quanto a escola desempenham um papel importante nesse processo, mas sobrecarregados por diferentes responsabilidades, os pais e responsáveis nem sempre conseguem um equilíbrio em administrar vários desafios durante a quarentena: o trabalho remoto, os cuidados com a casa e a família, lidar com novas agendas e horários, enfim. Para que o ensino domiciliar emergencial funcione, existe uma série de medidas que a instituição precisa adotar. Entre tantos, elencamos aqui algumas dicas que podem ajudar:

- O engajamento dinâmico dos professores para passar uma segurança às famílias;

- Um planejamento e organização juntamente com a equipe para realizar o trabalho diferenciado de acordo com o contexto;

- A transmissão do valor da escola para a comunidade, pois a família está percebendo mais do que nunca o importante papel escolar na vida dos seus filhos que estão em casa em tempo integral;

- No ensino à distância, a comunicação e o relacionamento devem ser as prioridades.

Não é o momento de se pensar em como captar estudantes para os próximos anos, o foco precisa ser como se comunicar e dialogar abertamente com as famílias agora. O contexto requer uma solidariedade a respeito do cenário mundial, onde é preciso ir além das práticas pedagógicas. A escola se torna, portanto, o apoio emocional, comportamental e social para essas famílias. Seria de fundamental importância que a escola, dentro da sua missão educativa e evangelizadora abrisse um espaço para auxiliar as famílias, proporcionando formas de chegar até elas com dicas de como lidar com tudo que está acontecendo com confiança e mais serenidade. Isso pede das Instituições um olhar organizativo e proativo, já que as famílias estão sentindo a falta da escola como nunca sentiram e, por isso, a presença é fundamental, acredito que esses pontos podem fazer o diferencial quando se fala de aliança família-escola.


DICAS PRÁTICAS PARA AUXILIAR O RELACIONAMENTO COM AS FAMÍLIAS NO CONTEXTO ATUAL

O mundo mudou e para isso se torna imprescindível o fato de que as práticas pedagógicas também precisam mudar, e encontrar um novo jeito de educar. Surgem novas necessidades e as técnicas antigas talvez não sejam as mais indicadas para o momento atual. Para isso, as práticas pedagógicas precisam ser repensadas para atender a essa nova realidade. Então, elencamos outras dicas para que as escolas possam auxiliar nesse processo:

- Desenvolver palestras online;

- Mostrar empatia e se aproximar dos estudantes e suas famílias;

- A meta principal é humanizar esse relacionamento à distância com um planejamento certo para transmitir mensagens relevantes no tempo certo.

- Uma boa ideia seria também oferecer uma “escola de pais online” - para mostrar como os pais e responsáveis podem ajudar os filhos a passar por este momento e como auxiliar no processo de aprendizagem em casa;

A comunicação como já mencionado anteriormente é uma ferramenta muito importante na realidade escolar atual. No contexto de isolamento social, se comunicar com as famílias se torna ainda mais imprescindível. O papel da instituição agora vai além do pedagógico, é importante fornecer um apoio social, emocional e comportamental para os pais, responsáveis e alunos. Sendo assim, a relação família-escola se torna a base para que o processo de ensino-aprendizagem seja efetivo no sistema remoto.

Pensando em todo esse panorama, elaboramos também três dicas para auxiliar os pais e responsáveis na superação das dificuldades nesse tempo de confinamento e estudo domiciliar, onde exige muita calma e serenidade por parte dos pais para ajudar seus filhos no processo de ensino aprendizagem. Então vamos lá:

DICA Nº1: ESTABELECER UMA ROTINA

Estabelecer uma rotina é fundamental para ajudar os filhos a entrar no panorama de estudos. Ter um horário para acordar e fazer as atividades é muito importante. Ainda que a rotina não seja seguida com extrema assiduidade todos os dias, a sua existência mantém um vínculo com as coisas como costumavam ser. Inclusive, atividades lúdicas podem entrar na rotina, nas horas de lazer em família, como dia da leitura, dia do cinema ou um dia para que a família cozinhe juntos. Caso a escola dê prosseguimento com as aulas online, o horário para atividades escolares e contato com os colegas precisa entrar nessa rotina. Existem algumas atitudes que podem auxiliar você a se organizar da melhor forma para seguir uma boa rotina todos os dias. Aqui vão cinco dicas para auxiliar você nessa organização:

1. Tenha horários definidos

2. Use uma agenda

3. Estipule uma rotina com toda a família

4. Priorize os horários de aulas online com os professores e colegas das crianças. É interessante que neste momento seu filho (a) use o uniforme do colégio como forma de interagir melhor com o contexto.

5. Escolha um lugar mais tranquilo e sem distrações


DICA Nº 2: Atividades lúdicas em casa

Como propomos anteriormente, as atividades lúdicas podem entrar para a rotina da casa.

- Seja por meio da leitura, jogos, cozinhar juntos, aprender uma coreografia nova o importante é criar uma forma de divertimento em família.

- A escola se estiver dando segmento às aulas, também podem incentivar atividades de união e vínculo entre os alunos, propondo atividades que possam ser feitas em grupo via videoconferência.

- Tendo presente que dar exemplo também é uma forma importante de incentivar a criança a ler, sugerimos atividades conjuntas, onde a família pode se unir para ler ou conversar sobre livros, não é apenas uma forma de entretenimento e distração, mas também auxilia no desenvolvimento do processo de ensino-aprendizagem.

DICA Nº 3: DIÁLOGO ABERTO

Os familiares e os professores precisam conversar com os estudantes de forma aberta, sobre o andamento da situação. Quanto mais clara a situação estiver, mais fácil será para eles compreenderem a necessidade de permanecer dentro de casa. Explicar que não se trata de férias, que as atividades seguem na medida do possível, e que você conta com a ajuda dele nele tempo. E para isso, tem uma tática muito legal que se chama diálogo aberto. Na hora que você fala para o seu filho: Você é um bom menino! você vai ajudar a mamãe! Filha você é uma menina legal, responsável, eu conto com você! O cérebro da criança começa a absorver essas frases positivamente, então a criança assimila que você o vê assim e isso contribui na sua autoestima e de consequência a criança vai começar a ter atitudes de escuta aos comandos. Por isso que quando os pais gritam demais, sem ter um diálogo aberto, frontal com o filho dizendo a ele: você é burro! Você não faz nada! Cala a boca! O cérebro da criança vai ampliando essas informações e aí o efeito disso é desastroso, pois é ai que a criança vai assimilar de forma negativa e ter atitudes que correspondam àquilo que o cérebro amplificou no seu inconsciente. Por isso que a serenidade dos pais é de fundamental importância nesse tempo de confinamento e estudos domiciliar. Não é uma tarefa fácil, mas com pequenos passos podemos seguir com mais serenidade este tempo que exige tanto de todos nós.

Este é um tempo propício para reinventar nosso jeito de educar. Por isso, vamos aproveitar e olhar as dificuldades com uma ótica positiva, colhendo todas as oportunidades de crescimento para ajudar as crianças, jovens e adolescentes a desenvolver a criatividade, a autonomia, sobretudo uma sensibilidade global.

Não dá para brincarmos com esse presente que Deus nos deu: a vida. Hoje, olhamos para as pessoas com saudades, sentimos falta do abraço, do sorriso e do toque. Estamos perto, mas não o suficiente. Olhamos para nós e percebemos que não fomos criados para estarmos sós, que a nossa vida existe para ser partilhada. Deus aproveita, sim, dessa situação para nos relembrar do valor do essencial, do valor de coisas às quais nos acostumamos e que tínhamos sempre. E lembre-se sempre: Sozinhos não vamos a lugar nenhum! Tenha muita fé! Deus escuta todas as nossas preces!

“Os justos gritam, Deus escuta e os liberta de todos os apertos”

(Sl 34, 18)

Que este Artigo tenha acendido uma luz na compreensão do que significa aprender na distância e na presença, porque educação não é somente uma coisa de sala de aula, mas um desafio para toda a vida.


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©2020 por Danilo Guedes