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Maria, mãe de Deus segundo o hit Mary, did you know.

A música secular que traduz um Dogma Mariano Theotókos

O lançamento do hit da banda Pentatonix é de 2014, e ainda repercute no meio católico, foi regravado em português pelo grupo Entretons. O texto se concentra basicamente na constante e pertinente indagação voltada a Virgem Maria acerca da sua consciência de ser a mãe de Deus encarnado, Jesus Cristo: Maria tu sabias?

Apesar de não ser um grupo declaradamente cristão, o grupo Pentatonix (EUA) possui uma acentuada sensibilidade cristã, não nos cabe aqui julgar a moral dos integrantes e suas orientações particulares, mas de analisar a produção artística dos mesmos como elemento cultural de valor cristão. Vamos lá!

Maria, mãe de Deus. A expressão grega Theotókos significa “aquela que gerou Deus”, a primeira vista pode resultar surpreendente; e suscita, a questão sobre como é possível que uma criatura humana gere Deus. A resposta da da Igreja é clara:

A maternidade divina de Maria refere-se somente à geração humana do Filho de Deus e não, ao contrário, à sua geração divina.

O Filho de Deus foi desde sempre gerado por Deus Pai e é Lhe consubstancial, ou seja, antes de encarnar-se, Jesus sempre esteve na presença de Deus Pai, o que chamamos de geração eterna, a qual Maria não desempenha, evidentemente, nenhum papel.

O dogma da maternidade de Maria (Theotókos), foi definido pelo Concílio de Éfeso no ano de 431, quando diante da heresia de Nestório (Arcebispo de Constantinopla), que colocou em dúvida a legitimidade da maternidade de Maria como somente mãe de Cristo, e não de Deus. Pois ainda havia grande dificuldade entre os cristãos de considerar a unidade da pessoa de Jesus Cristo, interpretando erroneamente a distinção entre as naturezas divina e humana presentes harmonicamente no Filho de Deus.

Maria realmente era consciente de ser a mãe de Deus?

Segundo Santo Agostinho “se a Mãe fosse fictícia, seria fictícia também a carne… fictícia seriam as cicatrizes da ressurreição” (Tract. In Ev. loannis, 8,6-7). Sim, Maria tinha plena consciência de ter gerado na carne o Filho de Deus, porém no que toca as consequências desta geração, ou seja os inúmeros milagres e prodígios citados no texto da música, foram parcialmente revelados ao longo da sua trajetória, tal como aconteceu com Jesus Cristo, que durante a sua juventude foi amadurecendo a sua compreensão e consciência de filiação divina e eterna, o que respeita a sua condição humana, do contrário seria uma contradição alegar que Maria desde o início era consciente de tudo o que aconteceria, pois além de negar a humanidade negaria também a revelação de Deus no tempo e na história.

A sua consciência de escravidão ao Senhor, a dignificou como Rainha de toda a criação, pois, segundo S. João Damasceno Maria tornou-se Senhora da criação no momento em que se tornou mãe do Criador.


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Fontes:

Pio XII Encíclica Ad caeli Reginam, 1954 A maternidade régia de Maria

Tract. In Ev. loannis, 8,6-7)

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©2020 por Danilo Guedes