• Kleber Oliveira

Os extremos são dois chifres do mesmo diabo.

In medio sedet inclita virtus

Há três meses, apreensivos, assistimos os noticiários internacionais; lá longe, em outros países, víamos morrer nossos irmãos no silêncio sombrio do medo e da insegurança. O vírus, que parecia invisível, se concretizava na dor do luto e da perda, quando as pessoas amadas eram tomadas muito depressa. Diante disso, os primeiros países acometidos, por medo ou prudência, ouviram a ciência e os técnicos, adotaram protocolos de distanciamento social fechando-se em casa, cantaram nas janelas e sofreram a dor do luto, ansiosos pelo dia em que todos poderiam sair e entoar o canto “Dias melhores pra sempre”.

Hoje, aqui no Brasil, nós também enterramos vidas, as valas acolhem cadáveres que nem velório tiveram. São os brasileiros contaminados pelo vírus, resultado talvez, da nossa falta de prudência, o vírus é democrático, vem para todos! Não podemos negar que vidas foram eliminadas em grande escala; e que, diferentemente de outras nações, não somente travamos uma batalha contra o vírus, mas a verdade é que esta trouxe à tona e evidenciou outras mais: a disputa entre esquerda x direita, ricos x pobres, empresários x trabalhadores, estúpidos x fanáticos, técnicos x lunáticos, ciência x senso comum, enquanto do nosso lado alguém chora, um choro abafado pela ganância humana, o choro de quem enterra um ente querido, o choro de quem perdeu a batalha contra o vírus.

Em tempos em que é preciso unir forças, o que prevalece nas redes sociais são as medíocres “Hashtags” extremistas e, lamentavelmente, alguns políticos que aproveitam o momento para alavancar suas pré candidaturas. Como cristãos, precisamos buscar a virtude da graça que está longe dos extremos, encontra-se na justa medida, no meio, e segundo Walther, grande poeta medieval alemão, "Virtus in medio constat honesta loco" (a virtude honesta está no meio) e In medio sedet inclita virtus, (está sentada no meio a ilustre virtude).

O coração aperta, parte da minha, da nossa humanidade partem com as vidas que se vão. Por outro lado, nossos corações se enchem de uma profunda gratidão a Deus pela vida daqueles que se recuperam, acompanhada de uma singela oração Àquele que é o Portador invencível do dom da cura, uma prece para que Ele não Nos esqueça, para que Se apresse em prover a graça da renovada saúde aos confirmados e aos que aguardam a recuperação, bem como, a serenidade e prudência para tantos que ainda não sabem de seus diagnósticos, mas que já vivem assombrados pelo medo. Como diz o Salmo 37 “Entrega o teu caminho ao Senhor, confia nele e ele agirá”.

Não são números, são vidas...

As vidas não retornam, meu povo! Discursos como: "Alguns vão morrer? Tantos morrem diariamente por outros motivos e ninguém diz nada! Essa é a vida”, não abreviam e nem consolam a dor incomensurável dos corações enlutados e temerosos. Nada pode reparar a nossa parcela de culpa na irresponsabilidade e negligência em responder a este cenário. Devemos sim nos sensibilizar com nossos irmãos sofredores, pois somos membros uns dos outros no corpo de Cristo (Ef.4,25).

REZEMOS, continuemos pedindo a graça de Deus conseguir encontrar a melhor maneira lidar com o Vírus que mata, humilha e, principalmente, desumaniza.

#Covid19 #Esperança #Vida #Renascer


Sobre o autor: Kleber Oliveira, é professor formado em Filosofia e pós graduando em gestão escolar.

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©2020 por Danilo Guedes